Juros fecham em alta à espera do comunicado do Copom e leilão do Tesouro

Juros fecham em alta à espera do comunicado do Copom e leilão do Tesouro - Agência Brasil


As indicações do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) trouxeram algum alívio para os juros domésticos, que desaceleraram o ritmo, mas ainda fecharam o dia em alta firme. Além do comunicado reforçar a sinalização que os fed funds futuros permanecerão baixos nos próximos anos, o presidente da instituição, Jerome Powell, reafirmou o compromisso em apoiar a recuperação econômica, prometendo juros baixos até que sejam alcançadas as metas de máximo emprego e inflação média a 2% no longo prazo. Internamente, por outro lado, vários fatores de estresse justificaram a pressão nas taxas, como a expectativa de uma comunicado "hawkish" (mais duro) do Comitê de Política Monetária (Copom) e de mais uma oferta elevada de títulos no leilão do Tesouro na quinta, além da informação de que o presidente Jair Bolsonaro quer reativar o programa Renda Brasil via Congresso Nacional.


A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 2,89%, de 2,873% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 4,154% para 4,25%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,12%, de 6,034% na terça. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa em 7,12%, de 7,023%

Os juros oscilavam perto da estabilidade até o meio da manhã, quando então passaram a subir em linha com a perda de força do real e também com a antecipação do mercado ao leilão na quinta. Investidores reduziram posições vendidas diante da possibilidade de mais um lote pesado de LTN, embora na semana passada a instituição já tenha feito oferta recorde de 43 milhões destes títulos. Há expectativa também em relação à oferta de LFT, em função do elevado deságio visto nas negociações do secundário desde o leilão da semana passada.

Segundo o Haitong Banco de Investimentos, a curva projetava 100% de chance de Selic estável nesta quarta. O economista da Eleven Financial Research, Thomaz Sarquis, espera poucas alterações no comunicado em relação ao de agosto.

Um ponto fundamental serão, assim como no caso do Fed, as indicações de como o Copom está enxergando inflação de 2021 e 2022, o chamado horizonte relevante. "Os componentes em si não devem mudar, mas o BC deveria dar muita ênfase ao risco fiscal porque de lá para cá as pressões para flexibilizar o teto dos gastos aumentaram, as perspectivas de reformas mostraram pouco avanço e o Tesouro está com dificuldade de se financiar", avalia "O juro baixo não é condizente com o grau do risco prospectivo do País."

As máximas foram atingidas no começo da tarde, com a confirmação de que o presidente Jair Bolsonaro pode bancar a criação de um novo programa social, um dia após ter dito que estava proibido no governo de se falar em Renda Brasil. A retomada será feita por meio do Congresso, conforme antecipado na terça pelo Estadão/Broadcast. O senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento de 2021, disse que foi autorizado por Bolsonaro a incluir a criação desse novo programa no seu relatório.

Na sequência, o comunicado do Fed e a entrevista de Powell conseguiram tirar os juros das máximas. Segundo Sarquis, a sinalização do Fed ajuda a manter os juros em níveis baixos no Brasil. "É um estímulo para diversificação de risco e ajuda o Brasil, gerando menos pressão sob a moeda", diz ele. "Não é, contudo, suficiente por causa do aumento da inflação ao produtor e dos riscos fiscais intrínsecos à economia", explicou.

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