Netflix anuncia plano com anúncios e preços mais baixos

O plano "Básico com anúncios" vai custar R$ 18,90 por mês e será lançado em 3 de novembro em 12 países, incluindo o Brasil

Netflix anuncia plano com anúncios e preços mais baixos - Divulgação


Após meses de rumores, a Netflix anunciou na quinta-feira, 13, que terá anúncios publicitários em sua plataforma. Os comerciais serão exibidos em uma nova modalidade de assinatura, que terá preços mais baixos. O plano "Básico com anúncios" vai custar R$ 18,90 por mês e será lançado em 3 de novembro em 12 países, incluindo o Brasil (os outros são Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, México e Reino Unido).


Os anúncios serão de 15 ou 30 segundos, exibidos antes e durante séries e filmes - nunca nos finais. Isso, porém, pode mudar, pois a empresa diz que o formato está previsto para o momento de lançamento. Serão exibidos em média de 4 a 5 minutos de anúncios por hora.

Além da publicidade, o novo plano terá limitações. Alguns filmes e séries não estarão disponíveis por conta de restrições de licenciamento - o conteúdo produzido pela companhia, como a série Stranger Things, permanece disponível. Em evento para jornalistas, Greg Peters, diretor financeiro da Netflix, disse que, em média, o catálogo será reduzido em 10%, mas a disponibilidade de programas vai variar em cada país.

Também não será possível fazer download para assistir aos programas offline. A qualidade de vídeo será de até 720p, a mesma do plano básico sem anúncios - que é a opção mais barata hoje, por R$ 25,90 por mês.

Os outros planos da companhia permanecem iguais em recursos e valores.

GUINADA

Embora Reed Hastings, CEO da Netflix, tenha sempre se posicionado contra publicidade, a guinada tenta reverter o ano ruim da companhia. Em 2022, a empresa registrou perda de assinantes pela primeira vez em 11 anos - nos dois primeiros trimestres do ano, a perda foi de 1,2 milhão de assinantes. Para cortar custos, a Netflix demitiu 450 pessoas em todo o mundo, principalmente nos EUA e na Europa.

"A Netflix tem um desafio maior do que outras empresas de streaming, pois ela não tinha catálogo. Para manter os assinantes, ela precisa produzir muito conteúdo. É preciso investimento sistemático e massivo, o que faz a conta não fechar apenas com assinaturas", diz Márcio Rodrigo, professor de cinema e audiovisual da ESPM.

Hoje, a Netflix possui 220 milhões de assinantes, mas viu o crescimento de concorrentes como Disney+, HBO Max e Amazon Prime Agora, a empresa espera atrair 43 milhões de usuários até o terceiro trimestre de 2023 com o novo plano, segundo o Wall Street Journal.

Ainda segundo a publicação, a Netflix espera ter 4,4 milhões de usuários globalmente até o fim de 2022, sendo 1,1 milhão em território americano. Até o fim de 2023, o número dos EUA deve totalizar 13,3 milhões. A companhia não fez projeções ontem, mas disse que vai incluir números em seu próximo relatório fiscal, que será divulgado no fim de outubro.

Segundo o documento, a métrica de "usuários únicos" é diferente da de "assinantes únicos", já que, no modelo de baixo custo, mais pessoas devem dividir uma única conta. Portanto, os números costumam ser maiores para essas projeções.

O movimento atual da Netflix foi realizado em parceria com a Microsoft e terá também medição para os anunciantes realizada pela Nielsen.

O movimento da Netflix na busca por publicidade, porém, não é solitário. As empresas deixaram de buscar o crescimento da base de usuários e passaram a focar na lucratividade.

Assim, nomes como Paramount+, HBO Max e Pluto TV já operam com o modelo - no Brasil, a Globoplay também tem propagandas. Já a Disney+ anunciou em março que terá um plano com publicidade - a expectativa é de que a estreia ocorra em dezembro. Há rumores também de que a Apple estuda o formato para o Apple TV+.

A Netflix afirmou que a escolha pelos países iniciais se dá pela maturidade dos mercados em termos publicitários, além do potencial de clientes. A companhia diz que não vai aceitar propagandas políticas, fraudulentas ou discriminatórias.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.