Política intensa

A semana foi particularmente agitada com três fatos relevantes: o descolamento da candidatura de Sergio Moro em relação ao grupo de candidatos da dita terceira via, o fiasco das prévias do PSDB e as novas declarações antidemocráticas de Lula. E o Brasil em busca de uma saída!



Moro. O ex-juiz da Lava Jato teve um crescimento exponencial em apenas duas semanas. Algumas pesquisas já sinalizam, inclusive, que estaria em torno de 13% das intenções de voto, demarcando-se em relação aos seus demais concorrentes. Há muita torcida contra ele, travestida de análise política e de cobertura dita jornalística. Por exemplo, começou-se a alardear uma pesquisa que lhe dava mais de 60% de rejeição, com o que estaria provada a sua inviabilidade eleitoral. Ora, que tenha uma elevada rejeição no início, nada mais natural, porque ficou apanhando sem responder durante mais de um ano de petistas, bolsonaristas, advogados e setores importantes da imprensa. Agora, uma vez candidato, terá condições de responder aos ataques, o que já vem fazendo com eficácia. O quadro é tão oscilante que uma última pesquisa lhe deu apenas 19% de rejeição, o que mostraria, na verdade, a sua viabilidade eleitoral. Em minha avaliação, Sergio Moro ganhou tração e coloca-se como uma alternativa possível, real. Dizia-se também que seria monotemático em relação à corrupção e, contrariando as expectativas, escolheu um liberal altamente reconhecido, Affonso Cesar Pastore, como conselheiro econômico. Habilmente, o escolhido ocupou com competência a cena midiática nos últimos dias. Quem esperava uma campanha amadora, deve estar certamente surpreendido se quiser ver a realidade.



PSDB. O não resultado das prévias do PSDB foi um fiasco. Quando se esperava que o partido, enfim, teria um candidato definitivo, superando os seus impasses e podendo cicatrizar as suas feridas, eis que a votação eletrônica foi um fracasso. Não sem razão, alguns dizem que um partido que não consegue implementar um APP de votação eletrônica para em torno de 40.000 pessoas, seria incapaz de administrar um país de mais de 200 milhões de habitantes. O erro maior foi do partido e de suas escolhas, o que se traduziu, ademais, por conflitos internos entre os candidatos e outros líderes partidários. Os verdadeiramente prejudicados, todavia, são os seus postulantes à presidência da República. Os tucanos estão dando mostras de desunião pública que prejudicam sobremaneira a sua imagem. Talvez eles estejam se inviabilizando partidariamente e eleitoralmente. E é uma lástima, pois o partido tem uma longa e rica história, com quadros qualificados que contrastam com as questiúnculas atuais e personagens menores. O governador João Dória, excelente administrador e pai nacional da vacina, nem essas ideias está conseguido mais vender. O seu ativo de saúde pública é inestimável e, nem por isto, estava logrando se descolar nas pesquisas. Agora, no caos partidário, a sua tarefa será ainda mais difícil.



Lula. Lula quanto mais fala, mais se prejudica. Se jogando parado é um craque, movimentando-se é um desastre. Deveria impor-se uma espécie de lei do silêncio. Não bastassem as barbaridades ditas em seu Tour europeu, em entrevista reafirmou suas convicções “democráticas”, na verdade ditatoriais. Declarou que o ditador Daniel Ortega teria direito a incontáveis mandatos, tal como a chanceler alemã Angela Merkel. Comparar a duração do mandato de um ditador com a de uma governante democraticamente eleita é de uma estupidez inimaginável. O ditador tem dentre seus ativos a prisão e o assassinato de seus opositores, utilizando-se da repressão feroz em relação aos seus cidadãos. A primeira ministra alemã, por sua vez, internacionalmente reconhecida, talvez a mais importante líder política da atualidade, deixa tranquilamente o Poder após ter perdido uma eleição. Lula, incontinente, justifica igualmente a repressão dos contestatários cubanos, fartos da penúria e da ausência de liberdades. Tudo para ele corresponde a esta “normalidade” de esquerda, isto sem contar suas declarações anteriores quando presidente de que a Venezuela teria um excesso de democracia. Excesso se há é de verborragia e demagogia de sua parte, exibindo o que pode tornar-se o Brasil caso seja eleito. 


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