JORNALISMO
18/05/2017 • 07:26:38

Imprensa europeia repercute caso Temer e diz que ele pode sair do cargo

Atual presidente foi gravado por empresário dando aval para uma suposta compra de silêncio de Eduardo Cunha


ESTADÃO CONTEÚDO

Agência Brasil
Imprensa europeia repercute caso Temer e diz que ele pode sair do cargo


A imprensa europeia dá destaque nesta quinta-feira (18) à notícia de que o presidente Michel Temer foi gravado por um empresário dando aval para uma suposta compra de silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Operação Lava Jato. Os casos de corrupção no País vêm tendo bastante repercussão nos veículos de comunicação locais e o tom na região é o de que Temer pode ter de sair do cargo pouco depois de um ano de assumir. 

O jornal francês Le Figaro diz que Temer está "em meio a uma tormenta". A publicação traz informações do Brasil, contando que, em 7 de março, o presidente se reuniu com um dos proprietários da JBS, Joesley Batista. O periódico explica que, antes de ser condenado final de março a 15 anos de prisão por corrupção, Cunha, um dos políticos mais influentes do Brasil, tinha trabalhado para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 

O Le Figaro também registra a negativa da Presidência: "O presidente Michel Temer nunca pediu pagamento para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Ele não participou ou autorizou qualquer operação com o objetivo de evitar uma confissão ou uma colaboração na Justiça do ex-presidente da Câmara", diz comunicado do Planalto.

O português Diário de Notícias traz a informação de que Batista entregou à polícia uma gravação onde o presidente incentiva o pagamento pelo silêncio de Cunha. "Fala-se em queda do governo e eleições antecipadas", cita o jornal. A publicação detalha que o empresário também mandou para a polícia um vídeo em que Rodrigo Loures (deputado do PMDB ligado a Temer) recebe uma mala com R$ 500 mil para resolver assuntos ligados à JBS. 

Em outro áudio, o candidato à presidência derrotado em 2014 por Dilma, conforme o jornal lusitano tratou o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, teria pedido R$ 2 milhões para Batista. A entrega também teria sido filmada com a autorização da polícia. "As consequências destes áudios e vídeos, segundo as primeiras análises da imprensa (brasileira), podem ser a demissão de Temer e a precipitação de eleições. Mas como estamos a menos de dois anos da data marcada para a realização do próximo sufrágio, marcado para outubro de 2018, a eleição teria de ser, segundo a Constituição brasileira, feita pelos congressistas, na sua maioria apoiantes do governo de Temer." 

Na capa do site do Le Monde, uma foto de Temer também chama para a notícia: "apenas um ano após assumir o cargo, os dias do presidente Michel Temer parecem contados", traz a manchete. O jornal francês cita a existência de uma "informação mais embaraçosa" para o chefe de Estado. "Em São Paulo, na Avenida Paulista, onde há um ano os manifestantes gritavam 'Fora Dilma', uma multidão explodiu de alegria, gritando: 'este é o fim do governo golpista Michel Temer". No Rio de Janeiro, reportou o jornal, houve um panelaço.

O espanhol El País diz que "um novo choque político colocou Brasil de cabeça para baixo em questão de minutos". A publicação também relatou a manifestação popular na Avenida Paulista, local emblemático da capital financeira do País. O jornal diz que ninguém ainda ouviu a gravação e que o governo nega a sua existência. O El País salienta que a Procuradoria-Geral da República se recusou a confirmar ou negar sua existência. Na reunião com Temer, reproduz o periódico, Batista teria dito que pagava uma taxa mensal a Cunha, que teria um "conhecimento quase enciclopédico da rede de corrupção" no caso Petrobras. 

O britânico The Guardian também mantém na capa a notícia sobre o Brasil: "gravações explosivas ligam presidente Michel Temer a suborno". A publicação fala do pedido de impeachment de Temer nas ruas e entre alguns congressistas. O jornal lembra que Cunha é do mesmo partido de Temer, o PMDB.

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