Após repúdio da Alesp, deputado que ofendeu o Papa pede desculpas

Frederico D'avila chamou o Papa Francisco e bispos da CNBB de “pedófilos”, “safados”, “vagabundos” e “imundos”

Após repúdio da Alesp, deputado que ofendeu o Papa pede desculpas - Reprodução


O presidente da Alesp, Carlão Pignatari (PSDB), abriu a sessão da Câmara de SP, nesta segunda-feira (18), com o discurso de repúdio as declarações feitas pelo deputado estadual Frederico D'avila (PSL), que chamou o Papa Francisco e bispos da CNBB de “pedófilos”, “safados”, “vagabundos” e “imundos”. Carlão Pignatari desaprovou os ataques feito ao Clero da Igreja Católica. Após as manifestações contrárias tanto da Alesp como de dezenas de entidades e autoridades, o deputado boca suja pediu desculpas. Frederico D'avila, que é bolsonarista, disse que extrapolou nas palavras e se redimiu. 


Carlão Pignatari disse ainda que as manifestações do deputado D’Avila foram antirregimentais e determinou a retirada das notas taquigráficas as ofensas proferidas à CNBB, ao arcebispo de Aparecida e ao Papa Francisco. Carlão Pignatari  leu integralmente a Carta Aberta de Repúdio, entregue pela CNBB. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Uma representação foi protocolada no Conselho de Ética da Alesp contra D’Avila pelo deputado Emídio de Souza (PT), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos. “D’Avila quebrou o decoro parlamentar em sua odiosa agressão ao Papa, ao arcebispo e à CNBB. Também oficiei o presidente da Alesp pedindo providências. Isso não pode ficar impune!”, protesta Emídio.

O pedido de desculpas veio na mesma sessão. O deputado D’Avila alegou ter sido inflamado por problemas pessoais ocorridos nos dias anteriores. “Meu pronunciamento foi inapropriado, exagerado, descabido e infeliz”, disse.

Entenda o caso

No dia 14, D’Avila usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para rebater um discurso feito pelo o arcebispo, Dom Orlando Brandes, no dia 12 deste mês, durante cerimônia no Santuário de Aparecida (SP). Na ocasião o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que estava no local, foi acusado por 400 padres e 10 bispos de “profanação do Santuário para fins eleitoreiros”. D'avila se ofendeu com as acusaçõese rebateu as críticas com ofensas, ele chamou o Papa Francisco e bispos da CNBB de “pedófilos”, “safados”, “vagabundos” e “imundos”. Na ocasião o parlamentar considerou o sermão um “recadinho para o presidente e para a população brasileira”. O arcebispo havia defendido a vacinação em massa contra a pandemia de covid-19, condenou discursos de ódio e alertou sobre a política armamentista. “Pátria amada não é pátria armada”, disse Dom Orlando.

O Vaticano disse que não vai se pronunciar sobre o assunto e afimrou que a CNBB já está tratando do caso.

 


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