Copom não está comprometido com nada, mas deu sinais, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse nesta quinta-feira, 8, que a "normalização parcial" da política monetária, ao contrário do forward guidance, não é um comprometimento com novos passos específicos nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Após aumentar em 0,75 ponto porcentual na Selic em março para 2,75% ao ano, o Copom sinalizou uma nova elevação de 0,75 p.p. na taxa para 3,50% em maio.

"Não estamos comprometidos com nada, com uma alta de 0,75 p.p. na Selic na próxima reunião. A política monetária agora é livre e pode mudar de acordo com as circunstâncias", afirmou o diretor do BC, em evento promovido pelo BNY Mellon.


Segundo Kanczuk, o que o Copom fez foi dar "dicas e sinais" de como o cenário do colegiado estava em março.

"Vamos aumentar 0,75 pp na próxima reunião, a menos que algo muito diferente aconteça. Coisas mudam. Não sei, talvez a normalização (monetária) não seja parcial, seja completa se as coisas forem pra um lado. Ou seja diferente se forem para outro", respondeu.

Cenário fiscal

O diretor de Política Econômica do Banco Central disse também que a sociedade brasileira tem pedido por mais gastos nas últimas décadas, e o Congresso Nacional naturalmente reflete isso. "Temos muito espaço fiscal no Brasil, mas temos de olhar o que é bom ou mau. Há essa necessidade de gastos e eu, como Banco Central, preciso reagir a isso, porque tenho o mandato de controlar a inflação. Nesse sentido, a questão fiscal é completamente exógena ao BC", afirmou.

Kanczuk negou que o Brasil esteja caminhando para um estado de "dominância fiscal", apesar das preocupações sobre isso no passado. "Se tivermos um cenário com mais e mais problemas, acredito que leva um tempo até você perceber que está em dominância fiscal. Mas a economia brasileira está funcionando normalmente", reforçou.

Mais uma vez, o diretor disse que o BC cuida da inflação e o Ministério da Economia e o Congresso trabalham com o fiscal. "Eu não posso antecipar se haverá um problema fiscal. Eu olho para a inflação e não para a dívida. Então uma eventual dominância fiscal não é um problema do BC", completou.

Cicatriz da pandemia

O diretor de Política Econômica do Banco Central avaliou que a maior cicatriz que a pandemia poderia deixar na economia seria o fechamento de muitas empresas durante a crise. Por isso o BC adotou diversas medidas para fomentar o crédito no ano passado. "As firmas não morreram e agora estão voltando e recuperando os empregos", afirmou, no evento promovido pelo BNY Mellon.

Kanczuk enfatizou que o Copom não vai ser tolerante com a inflação para garantir que algum setor ou outro possa ter alguma recuperação maior após a crise. "Nosso mandato é o controle de inflação e vamos seguir nessa direção", repetiu.

"Sempre tivemos liberdade para atuar da maneira que entendemos melhor. Com a aprovação da autonomia do BC, o que ficou mais claro foi os termos dos mandatos dos diretores da instituição ao longo do tempo. Se houver uma mudança política nas eleições, a diretoria do BC não poderá ser trocada de uma só vez", completou ele.

O diretor disse ainda que as expectativas de inflação entram direto no modelo da instituição e mudam o cenário básico analisado pelo comitê. "Se tivermos más notícias em termos fiscais, isso vai alterar nossos cenários alternativos", acrescentou.


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